Arquivo para dezembro \29\UTC 2010

ACIDENTE COM A POESIA

Morreu a rima, desmaiou a palavra,
Quebrou-se toda a linha.
Amputou o verbo, a inspiração está mal,
A emoção definha.
Perigando na vida, todos na UTI do coração,
Que também sem recurso,
Tenta salvar algum a qualquer custo.
Que algum verso de fibra resistente,
Sustente uma linha de bom pensamento,
Ressuscite uma rima de amor, com um susto,
Ou desperte a palavra adormecida
Regenerando o verbo,
E, cure a inspiração do surto.
E eis, que, não mais que de repente,
O poeta que ali junto definhava
De solidão, de amargura e dor,
Abraça a emoção, suspira profundo,
Sai nu ao vento, numa elegia à vida,
Só com a diáfana transparência colorida
Da palavra bem dita, no momento de dor,
Ressuscita a rima e cura todo mundo,
Com as mágicas gotas da alegria e da paz,
Dos seus versos de amor.

Não, essa dor não é minha, mas dou meu apoio de toda forma… já passei por isso. Foi minha tia Eunice que escreveu, dia desses quando não estava muito legal. Espero breve texto mais floridos, fica meu pedido!

PLÁCIDA

tirou-lhe a petulância e o tom autoritário, deixou-lhe mansa
fez-lhe calar por um tempo – ouvir mais falar menos
seus rompantes e irritações foram aos poucos decrescendo

Deus fez tudo isso para que tivessem mais motivos para amá-la!

CHEIRO DE TERRA MOLHADA

Desde pequena sempre me encantou o cheiro de terra molhada.

Antes mesmo de cair os temporais de verão – não, não como os de hoje – quando a chuva ainda vinha longe e as primeiras gotas ainda nem haviam caído do quintal poeirento, lembro-me de ficar à janela da casa da minha infância com aquela expectativa boa, aquela ansiedade esperançosa, aquela inquietude de uma novidade iminente – coisas que só o cheiro de terra molhada pode provocar… Ainda hoje ao escrever esse texto, sinto esse mesmo cheirinho, recordo-me da janela de madeira azul da casinha, da cor caramelo da terra úmida…

Agora, já passados bons anos dessas lembranças, refletindo na bíblia, me peguei lendo um texto que maravilhosamente me trouxe à tona essas doces recordações deixando-as ainda mais desembaçadas. Encontro no livro de Jó, no capítulo 14, esses versos:

“Porque há esperança para a árvore, pois, mesmo cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus frutos. Se envelhecer na terra a sua raiz, e o seu tronco morrer no chão, ao cheiro das águas brotará, e florescerá como uma planta nova.”

De onde concluo que toda “aquela expectativa boa, aquela ansiedade esperançosa, aquela inquietude de uma novidade iminente” que dizia lá em cima se chama esperança, pura e simples, que Deus já colocava em meu coração!

Pois por mais árido que esteja o chão, mesmo o frescor da chuva ainda distante, mesmo sem vida minhas raízes, eu sei que poderei reviver, mesmo sem água, apenas…simplesmente, ao cheiro delas, ao cheiro das águas sobre a terra!

Obrigada, Jesus! Dono das águas vivas!!!

**PS: e enquanto posto, cai de repente uma chuvinha depois de um dia tão quente… é “só” Deus me lembrando, por via das dúvidas, que há, sim, ESPERANÇA!

#o que Deus diz!

NÃO GOSTO DE “CRENTES”


Desses fingidos, que adoram a um deus raso, quando não implacável. São tão superficiais quando seu conhecimento bíblico ou até entendidos no assunto, mas longe da prática.

Os que carregam rótulos denominacionais, que assinam em caixa alta “SOU DA IGREJA DE CRISTO, SERVINDO A UM DEUS VIVO” – quanta hipocrisia – que andam por aí com camisas “gospel” ou mostram que são de Cristo por causa do que vestem. Desses não gosto, também!

Dos hipócritas que sobem nos púlpitos ou pregam nas esquinas da vida justamente o que não vivem, que triste! Estes não são “imagem e semelhança” do Deus que encontro na bíblia.

Não! Definitivamente não gosto dos que se metem a fazer a obra sem paixão, ignorando a necessidade alheia, a dor do próximo, sem respeito nem consideração. São os “artistas do espetáculo”!

Dos fanáticos e radicais, que morrem e matam em nome de um deus (que, por favor, não deve ser o mesmo que o meu), pois Ele é amor, bondade e misericórdia… não gosto não!

A estes e tantos outros de semelhante espécie, fica minha prece:

Livrai o mundo deles
Livrai a mim de ser assim
E se assim eu fui ou sou
Perdão, Senhor!
Livrai-me de mim mesmo
Porque “crentes” assim são um perigo e uma afronta ao seu bom nome, conquistado a preço de sangue ao longo de toda a existência humana.

Que assim seja!

ENCHENTES

veja só
pelas janelas abertas
a lua mergulhou no chão no meu quarto noite dessas
acordei com o barulho daquelas ondas de luz
que foram inundando portas, paredes e tudo mais
até que não houvesse mais espaço para clarear…
e estando cheio, o quarto transbordou pelas frestas
e a lua fez festa até nos corredores
que insistiam em se manter na escuridão.

DAS PROMESSAS SUSURRADAS

Do seu chafariz pessoal, jorraram fontes inteiras na noite de ontem.
Ficou muitos minutos sem conseguir controlar as lágrimas que vinham aos montes cada vez que lembrava do amor de Deus, dos grandes milagres que Ele lhe concedeu esse ano e, mais, das promessas que docemente sussurou-lhe ao ouvido, lembrando-lhe “ei, calma, todas elas vão se cumprir”!

** essa foi pra Roberta Calazans, para a qual aqui eu prometi que veria tudo aquilo que Deus faria por mim, em seu imenso amor, mesmo eu não merecendo. Só queria dizer para ela e para outras pessoas que me lêem que Deus é maravilhoso e sempre vale a pena confiar nEle. Minha vida é prova disso!

A CRUZ E A MINHA PEQUENEZ


Quando olho pra cruz, sinto que tudo mais fica pequeno.

Talvez fosse esse o ponto de vista de Jesus quando ele olhava a humanidade de lá… da cruz.

Percebo que meu afastamento de amigos queridos por causa do meu dia-a-dia corrido é muito, muito triste, e um grande disperdício de tempo.
Consigo ver que minhas chateações com meu pai e minha mãe não são tão ruins assim, um dia não os terei mais comigo.
Sinto que nossa luta por querer sempre mais e mais (e quando conseguimos já estamos insatisfeitos) nos aprisiona.
Vejo guerras por motivos banais, leio vidas sendo ceifadas por R$ 10, lembro que meu consumismo desesperado pela vigésima calça jeans me priva de ajudar alguém realmente necessitado, vejo que não vale a pena brigar no trânsito e lamentavelmente hesito abrir mão do meu conforto para diminuir o efeito estufa…

Talvez porque esteja perto do Natal (e chega a melancolia saudosista de todo dezembro) e acabamos nos lembrando mais de Jesus, o que me remete novamente à cruz, ainda manchada de sangue, por minha causa e por sua também…

Quando lembro que Ele escolheu a cruz, sinto sim, que nada é maior e tem mais importância que o amor de Jesus, e isso sim, torna tudo nesta vida, muito, muito pequeno.


SEJA BEM-VINDO!

JULIANA ESCREVE
Sobre tudo que alcança seu coração, o que não é pouca coisa! Deus, família e amigos são assuntos recorrentes. Milagres, bençãos e bom humor também fazem parte... Se quiser ficar no meu coração, à vontade, mas não traga porcarias para dentro dele, ok? :)

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