Depois de quase dois anos de perdas (e danos), de tropeços, enganos e verdades lançadas cruelmente em seu rosto, ela pode olhar para trás e se orgulhar: era forte! O pior havia passado e, melhor, ela havia sobrevivido.
Após aquele junho desastroso, ficou meses soterrada embaixo da dor que pressionava seu peito, tirava-lhe o ar e lhe impedia de pedir socorro. Ninguém nunca ouviria sua voz, sua alma jamais seria resgatada daquele abismo, pensava.
Foi quando um homem, no momento exato de sua quase morte, abriu caminho por entre a lama e se revelou seu salvador. Estendeu-lhe a mão e ela, mesmo sem saber como poderia ser salva, acreditou!
Ele limpou seu coração, lhe deu novas roupas, alimentou sua alma e tirou – com o zelo que só os apaixonados tem – todo o resquício de negrume da sua vida, deixando limpo e claro os seus futuros dias.
Agora, pensava sobre isso sentada no alto de uma rocha. Com pés firmes, respirando um ar fresco e apreciando as campinas abaixo se desdobrarem até o fim do horizonte… sem medo que qualquer tremor abalasse sua confiança, sua felicidade, porque sentia que isso era tão seu que seria impossível qualquer coisa arrancá-las de si.
E antes de agradecer (mais uma das tantas vezes desde o seu resgate) reafirmou para si mesma, só pra não esquecer, que se não tivesse sido salva naquele instante não lhe restaria mais nenhuma chance e nunca a teriam encontrado, pois estava enterrada bem fundo num poço entulhado de um coração partido, de onde é muito difícil alguém sair vivo.
Obrigada, mais uma vez.*
* Essa história se baseia em fatos reais, da minha vida, como alguns devem saber (poderia colocar links em cada parágrafo relembrando cada episódio, mas nao achei conveniente). Então, obrigada Jesus, meu Salvador, que num dado momento ainda em 2009 foi tirando toda a minha dor. Obrigada mesmo, te amo!
Dito isto, devo completar que produzi esse texto para a 50ª edição conto/história do bloínques, um blog com uma proposta super bacana. Não costumo entrar em concursos nem publicar meus textos fora do blog, mas o tema, confesso, me chamou a atenção de cara: tinha que conter a frase “e nunca a teriam encontrado, pois estava enterrada bem fundo”. Enfim, pensei comigo: cara, estão falando de mim! E aí escrevi, em linhas gerais, sobre o meu resgate!
Beijos
Jú




